Do jeito de falar ao peixe com banana: tradições mostram que folclore está presente no cotidiano dos brasileiros

Fefol: descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia O colorido das roupas, o som dos tambores e as apresentações que encantam o público todos o...

Do jeito de falar ao peixe com banana: tradições mostram que folclore está presente no cotidiano dos brasileiros
Do jeito de falar ao peixe com banana: tradições mostram que folclore está presente no cotidiano dos brasileiros (Foto: Reprodução)

Fefol: descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia O colorido das roupas, o som dos tambores e as apresentações que encantam o público todos os anos no Festival do Foclore de Olímpia (SP) são apenas uma parte da história. Muito além dos palcos, o folclore está presente em hábitos que passam quase despercebidos no dia a dia: na receita ensinada pelos avós, na forma de preparar um prato típico, nos diferentes sotaques espalhados pelo país e até em gestos feitos sem pensar. Olímpia, conhecida como a cidade dos parques aquáticos, também carrega o título de Capital Nacional do Folclore. A partir do próximo sábado (1º), o município recebe a 62ª edição do Fefol, um dos maiores eventos do gênero no país. O festival reunirá mais de 70 grupos, 2,8 mil artistas e contará com mais de 130 apresentações representadas por 21 estados. Em 2026, o estado homenageado será o Rio de Janeiro. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Se nos palcos do Fefol a cultura popular encanta pela beleza das apresentações, fora deles ela continua viva nos hábitos, nas palavras, nos sabores e nas tradições que ajudam a construir a identidade brasileira. É justamente essa conexão entre passado e presente que faz do folclore um patrimônio em constante transformação - preservado por quem mantém vivas as histórias, os costumes e os saberes transmitidos de geração em geração. 💃 A relação do folclore com o cotidiano e a importância da passagem de costumes e tradições abrem a série especial de reportagens da TV TEM denominada "Fefol: Além do Palco". Assista a reportagem completa no vídeo acima. Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução 🪭Folclore mora no cotidiano Para além das figuras míticas como saci-pererê, curupira e iara, ou das danças e cantigas, as manifestações folclóricas estão no dia a dia dos brasileiros: quando alguém ensina um chá caseiro, faz um gesto para indicar que está tudo bem ou repete um costume aprendido com os pais e avós, está mantendo viva uma manifestação folclórica. A fundadora do grupo Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas "Cidade Menina Moça" (Godap), Cidinhas Manzolli, aponta que os costumes se manifestam em pequenos gestos do cotidiano, como nas simpatias populares repassadas entre gerações. "A gente vive o folclore diariamente e às vezes não percebe. Está na forma que a gente se veste, no que a gente come, no que a gente bebe. (...) São esses hábitos que vêm vindo, que nossos avós vão nos ensinando, que os nossos pais vão nos ensinando e que, automaticamente, a gente vai passando para a frente e a gente nem percebe. Isso não acaba mais", explica Cidinha em entrevista para a TV TEM. 🐟 Tradição que vem do mar A cerca de 800 quilômetros de Olímpia, no distrito de Tarituba, em Paraty (RJ), a pesca artesanal molda a rotina de praticamente todos os moradores da pequena vila de cerca de mil habitantes. Lá, o ofício não representa apenas o sustento das famílias, mas também uma tradição. A atividade é passada entre gerações: o pescador Rafael de Souza Bulhões aprendeu com o pai e ensinou para o filho, o estudante Pablo Bulhões, que cresceu acompanhando as pescarias. "Não é só pelo peixe que a gente vai lá, é família, geração toda fazendo isso. É prazeroso, sabe? Igual o restaurante da minha avó, foi todo construído com o trabalho do meu vô, do meu pai", afirma Pablo à TV TEM. A tradição também chega à mesa. Em Tarituba, peixe e banana formam uma combinação inseparável. O pirão, preparado diretamente no prato, com caldo do peixe, farinha e bastante cheiro-verde, faz parte da identidade da comunidade. A cozinheira Maristela de Souza Bulhões aprendeu a receita. "Eu sou filha de um pescador e casei com o pescador, e eu vim fazendo, aprendi a fazer esse prato e continuo fazendo. É tradição", conta Maristela. Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução 🪇 Cultura preservada dentro de casa Em Olímpia, não é preciso esperar o festival acontecer para encontrar manifestações populares. A preservação do folclore conta com a atuação direta de moradores e grupos locais. Com mais de 20 formações folclóricas e parafolclóricas na cidade, os ensaios e apresentações fazem parte da rotina do município. Em uma casa da cidade, o som dos tambores e das cantorias ecoa mesmo em dias comuns. Ali, integrantes de uma Congada mantêm viva uma tradição herdada dos antepassados como forma de devoção e resgate cultural das tradições afro-brasileiras. 🔍 A Congada é uma manifestação popular que mistura dança, música e fé. De origem afro-brasileira, ela homenageia santos católicos, como Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, e preserva tradições transmitidas entre gerações. Os instrumentos usados nas apresentações são confeccionados artesanalmente e o chapéu usado pelo grupo tem mais de 50 anos de história. O mestre João Batista Ferreira aprendeu a tradição com o pai, ex-embaixador de Companhia de Santo Reis e capitão de Congo, e hoje repassa os conhecimentos para os filhos: o capitão João Henrique Ferreira e o capitão sanfoneiro Jonathan Ferreira. "Quando você tem a juventude e os filhos envolvidos nisso, fica mais seguro de que não vai se acabar. É uma junção de cultura e ensinamento que vem do berço", diz João Batista. Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução 👂 Paixão que atravessa gerações Entre os grupos paulistas, o Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas "Cidade Menina Moça" (Godap) é o mais antigo de Olímpia, somando 59 anos de fundação. Focado em danças tradicionais do estado e quadrilhas do noroeste de SP, o grupo reúne várias gerações de uma mesma família. As dançarinas Vanessa da Silva Carrara e Isabella Cabrera destacam o envolvimento familiar para a manutenção do grupo ao longo das décadas. "Meu pai dançou muitos anos, dançou no festival ano passado e segue até hoje. Minha tia, meu avô, eu e minha prima dançamos. É uma paixão que passou junto com a família e temos um carinho muito grande pelo grupo", finaliza Isabella. Fefol: De simpatias até danças, descubra como o folclore está presente no nosso dia a dia no interior de SP TV TEM/reprodução Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

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